amor.fogo
quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
terça-feira, 21 de novembro de 2023
Bicadas Desbocadas
As minhas palavras não são o que me sempre me sai da boca, sou uma beca assim especialmente em certos bocados ou em alguns becos com saídas menos iluminadas
Lamento pela Irmã Marta
As melhores receitas são também uma história de vida cujo segredo nos compete decifrar. Por vezes o seu destino surge-nos antecipado, como num refogado entornado
domingo, 19 de novembro de 2023
Reflorestas
Amor Fogo é uma paixão que queima corações transformando-os em livros e lápis de todas as cores e piores feitios
escutando um requiem antes de compor uma valsa
lembrando-te do fim torna memorável o desfecho começando pelos teus princípios.
pressão alta de baixas pressões
o artista falhou está falado, diz lá agora meu amigo se não tens quem de ti trate onde está agora a tua arte, não é assim que o bandoparte?
tou cansado de não passar de um miúdo só do lado de fora do seu próprio filme
por mais que queira não consigo ser espectador do meu próprio filme apesar de o ver amíude projectado no dos outros. que noite esta em mim....
Comovido pela fé, cú movido pelas guerras
Um soldado que sonha com a Guerra que atravessa o éter ao seu redor quer é voltar a casa com a Paz, para partilhar toda a fé que o move.
litro e meio depois
as mulheres preferem os amigos mais brilhantes ou os adversários mais sábios e quem as pode censurar?
e a lida prossegue
o miolo escasseia, o pão endurece. a joaninha mete migalhas no parapeito, surgem os primeiros pardais, enquanto os piscos aspiram, os pombos conspiram, as anax mudam, os mochos observam, as águias mais acima, do que as gaivotas auguram, e do que os aviões que vagam, em terra ao par de corvos que tantos temiam, todos assistem, ... enquanto os abutres aguardam.
busco-te.encontra-me
vejo-te sem te encontrar
por toda esta vida
escorrendo-me através desta em cidade
que me diz corre
mas que se suspende pelas artérias
trepando pelo pulso
das árvores feito selvagem
com o tacto de um animal
e o olfacto de uma viagem
que encontrei um dia
numa fantasia real
onde me perco
sempre que não te encontro
mesmo que sempre te veja
através dos olhos meus
reflexo em olhos teus.
por toda esta vida
escorrendo-me através desta em cidade
que me diz corre
mas que se suspende pelas artérias
trepando pelo pulso
das árvores feito selvagem
com o tacto de um animal
e o olfacto de uma viagem
que encontrei um dia
numa fantasia real
onde me perco
sempre que não te encontro
mesmo que sempre te veja
através dos olhos meus
reflexo em olhos teus.
não me quero perder fora do teu alcance
mostra-me o caminho que te seguirei, sê o meu passo que te completarei. desta vez ousarei...!
V.enus de M.oi ("_")*
o teu suave aroma de planícies cobertas de jardins de cor intensa e primaveril que combina a perfeição da frescura do teu gesto com a intensidade do teu olhar que me perdura como uma noite à lareira sob uma noite de chuva com estrelas, ainda deseja o meu rude tom de homem cadente?
a minha urgência cansa-me a urgência que me descansa
se não fossem as complicações a todo o tempo o cansaço fora de tempo a sonolência pela tardinha e as dores de cabeça para lá da hora, não haveria qualquer desculpa para não estar aí bem enroscadinho tranquilamente em ti. quero-nos tanto... mas quando também nús nós nos partilhamos? !!!
final sem ponto
ando eu por aí entretido a sobreviver quando devia sobre viver contigo ao te entreter
ver de perto
o meu peito tranparece-se só de te ver desse lado da janela. tenho esperança de um dia te entrar por ela dentro e de te revelar as minhas mais profundas palpitações.
Para quê tomar apenas um café se podemos apreciá-lo nós mesmos à beira mar?
Em que espaço.tempo é que os nossos caminhos se cruzam? Quero fazer-te na estrada...!
deseja outra mensagem?
Acima da esquina da alegria com a liberdade, onde o jazz se esvai das janelas encerradas de cimento, o amarelo do meu asfalto misturou-se com o dourado do seu desejo e fez-se liberdade em alegria! Agora resta aguardar e ter paciência antes de recolocar um café em todas as rotas da europa.
apagado assim como a cinza cinzenta que flui fui entre espaços levado a contragosto pelo vento (como odiava quando o vento me despenteava os caracóis que até davam para contar todos aqueles que foram até agora subtraídos da superfície do meu pensamento levemente sumidos até ao resto zero o nada adiante de mim) flutuando sem sentido até ao apagar da chama que não era da velha mas de uma beleza invulgar minhota singular castelhana das melhores famílias a que não darei continuidade porque sou um falhado nos meus mais necessários instintos de que outros sugam o tutano alheados da minha verdadeira existência deprimente e deprimida em que me alheio cada vez mais enterrado em sonos e sonhos sem sentido e filmes imberbes
"Oh lord can you see...
Há dois tipos de pessoas que gosto particularmente: os meus amigos e as pessoas que me falam directamente. Os meus amigos porque diz que sim, e essas pessoas porque me dizem directamente o que os amigos nem sempre sabem como dizer. Mas o que mais aprecio são os meus amigos quando me falam frontalmente. Mas verdade seja dita oiço melhor do que me convém e respondo-lhes pior do que devia....
estou só, deste lado.
nos últimos tempos virei-me para a margem sul e cá continuo nesta coisa sem portas nem janelas a que chamamos "o Terreno". Esta casa já tem tecto, o que tira alguma piada à música do Vinicius, mas até nem têm faltado anedotas. A mais recente foi a desta madrugada em que fiz uma queimada de aparas de madeiras velhas: levantei-me cedo, acho que demasiado cedo para que as madeiras quisessem arder. Fiz uma fogueira, mais fumo que fogo e não consegui queimar tudo o que precisava.
Apaguei as cinzas. Fui deitar-me. Dormi, sonhos embrulhados. Acordei enjoado (ando cansado, fatigado e mal alimentado...), mas a neura foi perceber que as chamas tinham reacendido. Resumindo ardeu quase tudo o que queria queimar e por sorte não passou para o lote ao lado...! lucky basterd not in the news today....
Mas cá continuo no que sobra deste canto de mundo sem sanita e água do garrafão, mas com net que é para não amolecer com tantos luxos. "O Terreno" um pequeno lote que aos poucos foi tomado pela vizinha, vizinho e sua família. Entretanto vim para aqui restaurar móveis e um pouco de amor próprio. Fiz a planta da coisa mas ainda não plantei nenhuma. Limpei um porradão de entulhos, mas o mais duro tem sido não ter ninguém com quem partilhe horas cheias. O que me trouxe no entanto foram as portas e as janelas cujo dinheiro que lhes estava destinado serviu para pagar bicas nomeadamente de um ex amigo sócio. A minha vida sempre foi complexa mas desde este bar pfff....
E cá tenho continuado e já começa a haver obra à vista. Mas a minha vida são outros filmes. Tenho bem noção disso. Tou a fazer por voltar ao cinema. Tenho uma imagem a restaurar. E projectos não faltam.
E desejos a sonhar então... mas cá continuo perdendo-me sem te encontrar deste lado. tão só.
Apaguei as cinzas. Fui deitar-me. Dormi, sonhos embrulhados. Acordei enjoado (ando cansado, fatigado e mal alimentado...), mas a neura foi perceber que as chamas tinham reacendido. Resumindo ardeu quase tudo o que queria queimar e por sorte não passou para o lote ao lado...! lucky basterd not in the news today....
Mas cá continuo no que sobra deste canto de mundo sem sanita e água do garrafão, mas com net que é para não amolecer com tantos luxos. "O Terreno" um pequeno lote que aos poucos foi tomado pela vizinha, vizinho e sua família. Entretanto vim para aqui restaurar móveis e um pouco de amor próprio. Fiz a planta da coisa mas ainda não plantei nenhuma. Limpei um porradão de entulhos, mas o mais duro tem sido não ter ninguém com quem partilhe horas cheias. O que me trouxe no entanto foram as portas e as janelas cujo dinheiro que lhes estava destinado serviu para pagar bicas nomeadamente de um ex amigo sócio. A minha vida sempre foi complexa mas desde este bar pfff....
E cá tenho continuado e já começa a haver obra à vista. Mas a minha vida são outros filmes. Tenho bem noção disso. Tou a fazer por voltar ao cinema. Tenho uma imagem a restaurar. E projectos não faltam.
E desejos a sonhar então... mas cá continuo perdendo-me sem te encontrar deste lado. tão só.
Que vida de Tango...
Talvez me restaure um dia dando os passos trocados com um pouco mais que graxa.
doa por quem doer
um coração tem de bater
Quero deixar-te
o meu hoje já nem sabe porque bate
mas a verdade é que estremece
e não me deixa sonhar
por isso sigo acordado
despertando silêncios
e vozes enfim
ando com o desejo desencontrado
mas tenho encontrado desejos
de nada
e de tudo
um coração tem de bater
Quero deixar-te
em paz
porque ando em guerra comigo
mas a verdade é que estremece
e não me deixa sonhar
por isso sigo acordado
despertando silêncios
e vozes enfim
ando com o desejo desencontrado
mas tenho encontrado desejos
de nada
e de tudo
por ninguém
e por toda a parte.
às vezes basta uma imagem
uma ponta e uma ilusão
para começar de novo a aventura
que nos leva além de toda a arte
naquela leve palpitação
que embala o desejo
e nos leva a estrada
a toda a parte.
sigo
um desejo
que escapa de mim
apetece-me chuva lá fora e companhia cá dentro. estou só e mal habitado. nestes lugares trilhados preciso de um novo destino. preciso de me encontrar. perdidamente só e mal habituado vejo o dia seguinte um de cada vez aceleradamente chegando cada vez mais sofregamente. pergunto ao teu silêncio se escutas aos verbos sem rima, ao eco dos silêncios perpétuos que os meus sonhos recebem por fim noite após noite o mesmo sem-fim. já nada teu anseio já nada nosso acontece. apenas uma miragem de tudo poder explicar sem uma única palavra. porque apenas sonhando subsisto ao fim da madrugada. é. por isso é teu este abraçar sem palavras. já não sou o teu homem já sou apenas um embrulho amarrotado que resiste em forma de coisa nenhuma mas feliz por ser teu no instante que me lês aqui sem mais companhia nenhuma além do que neste instante de novelo que em todo e se tece. o mundo toda lá fora aqui não acontece. chove cá dentro mesmo que já tenhamos desatado todos os nós que existimos um dia
Começar
num passo em frente
rumo ao vazio
o gesto insensível
pela imprevisibilidade do sentido
Depois vem a queda na realidade
e no peso da gravidade
dos actos irreflectidos.
o tempo passa
o ciclo avança
e então?
aponta-se de novo faz-se a mira
acerta-se ao lado e em tanto outro sítio
acerta-se ao lado e em tanto outro sítio
até que damos por nós a olhar
pelo ponto de chegada
a face revelada
um sinal cintilante
ecoa pelo silêncio
de um sonho profundo
Deste Destino
o destino comum
do eterno devir
de ser destino
à espera da chegada
da eterna partida
que nos leve levemente
ao nosso encontro
o princípio sem fim.
dispenso ***** dormindo no chão luas dentro
no seu canto de nada cheio de tudo, velho jovem procura forma de anunciar-se com quem quer partilhar um céu cadente de estrelas...
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Anestesiado
Assim fico quando falo para o teu terno eterno éter.. Nunca mais começa a operação "Nunca mais acaba"
terça-feira, 17 de março de 2020
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 18 de março de 2013
a gatinhar
devia perseguir a gatinha a que perdi o rasto e quando a alcançasse pedir-lhe perdão pelo cão que fui
quarta-feira, 6 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
féisca
acho que me apaguei e no entanto não deram por isso portanto posso reacender as palavras apagadas se der com a própria faísca que as motivou. e essa sei bem o bem que me sabia ou soube mesmo que não o soubesse. ainda que mantenha as minhas certezas quanto a isso.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
acorda bem desejo meu
encontremo-nos onde nos encontremos... esse momento pode ser só um mas gostava que possibilitasse outros movimentos menos tormentosos, bem mais aconchegados.
simtonizar gestos às palavras
querer e decidir já não me cabem... eu não quero o embalo da multidão fechando-me em caixinhas cada vez mais pequeninas. morra antes que envelheça o seu sentido. eu desejo dois braços o teu direito e o teu por direito próprio esquerdo que me abracem e me digam 'submete-te à imensidão do teu céu e sê meu' por direito divino enquanto existem musas e vida na terra ser a plenitude que desejas em ti por nós nús embalados sobre o céu e sob a terra. as mais belas palavras de amor inscritas sob os escombros que restam dessa palavra proscrita em vão encerrada no teu peito. resta-me reencontrá-las à escuta e desdobrá-las uma por uma levemente sublinhadas por gestos um e outro sempre teus
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
troca de combustível
troquei o chocolate por água e sal depois da balança me indicar com um dedo urgente que lhe saltasse das costas tipo já! sim tou crescido...
um hospital de dia por dentro
é a medicina da noite manhã fora, salvaguardadas raras e saudáveis concepções.
arma-me de novo
Faz de mim teu homem cheio de lata que chegue ao teu redor de brasão em chamas e te convide para um pedaço de bom dia.
domingo, 9 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
regras de etiqueta
o custo todo a custo tudo
a penas vendo apenas cobertas
não vendo alegria vendo só tristeza
olho puro olho, negócio por negócio
vida por via que a visse assim
sendo alegre alegria vendo
a penas vendo apenas cobertas
não vendo alegria vendo só tristeza
olho puro olho, negócio por negócio
vida por via que a visse assim
sendo alegre alegria vendo
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
ainda que não o concretizasse ...
por cada vez que disse que não te encontro houve um instante de vou-te encontrar que se antecipou ao nosso encontro
é verdade as palavras passam e passam por vezes por nós sem darmos conta de que nos silenciaram...
por vezes asfixia-nos o tempo que passamos solitariamente olhando a janela que cai das nuvens molhando os passos de quem passa com lágrimas azedas porque são de colheitas perdidas no tempo que ficou a passear à deriva fechado em si mesmo
sinto-me num estado perfeitamente vago de ideias vagas que me embrulhem numa onda atrás de outra sensação de vaga que me leve ao fundo de novos conceitos simplesmente de realidade em surrealidade que de tão resolvida se revele irresoluta neste combate pessoal em que acabo novamente por me embrulhar navegando lençol adentro de lençol noite após dia
sinto-me num estado perfeitamente vago de ideias vagas que me embrulhem numa onda atrás de outra sensação de vaga que me leve ao fundo de novos conceitos simplesmente de realidade em surrealidade que de tão resolvida se revele irresoluta neste combate pessoal em que acabo novamente por me embrulhar navegando lençol adentro de lençol noite após dia
pai país que nos pertence
saqueando regularmente a cozinha, um pirata por um pedaço de pão atravessa o convés da senhora da glória arrastando pelas vergonhas abaixo a moral que leva lá bem no alto. fossem os seus passos no entanto os menos arrastados do reino e a leveza com que agora marcha fariam desta república uma comunidade bem mais eficiente que aqui o marujo que navega em águas nunca antes reveladas a si mesmo pouco sabe reverter. até ver é o meu pai que vegueia pela noite aos restos que lhe deixaram na cozinha e que lhe alimenta os passos pela noite. até ver...
de litro em nitro e meio
às vezes não basta dar o litro é preciso revendê-lo cada vez mais cêntimo a dezbarato
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
nascerificar
precisão é o que sempre mais me faltou naqueles momentos exactos; é pois preciso aprender a semear antes de um dia semear com precisão
foton
a minha primeira paixão artística talvez tenha sido a musa. agora que encontrei verdadeiramente uma ainda que apenas a vislumbre em memórias e sonhos profundos sou de novo visitado pela artéria artística que me flui pelo desejo ainda que não me tenha ainda concretizado contra edifícios de bastão armado de tinta na ponta da pena. é pena mas não será seja necessariamente a primeira a oportunidade que deverei enquadrar devidamente.
11 de setelembro
helicópteros insistem em sobrevoar o silêncio da noite. talvez seja sempre o mesmo. talvez seja o mesmo em que sobrevoei a cidade num ano passado. anos volvidos a cidade continua certamente igual mas não parece certamente a mesma. parece mais revolvida que nunca. e a história parece mais clara que sempre. parece certamente pouco translúcida. ou talvez seja da minha falta de lucidez agora que parece que volta o hellicóptero.
domingo, 9 de setembro de 2012
ironizar o tempo perdido
neste momento sou apenas tempo a passar a ferros antes que me desfaça em rugas e frases vincadas.
alinhamento de estrelas num cometa humano
haja um universo que ainda acredite em mim que eu já deixei de crer nisso até provar o contrário. se essa mudança se desse um dia gostaria de saborear devidamente o tempo que esta planeta me consinta provando o que faz com crença um homem num mundo em mudança.
deve ser da crise
só um atraso de vida gostaria de acertar as horas pelo seu próprio relógio biológico. o meu anda particularmente desajustado dos meus propósitos universais.
tempo fora fora de tempo
se eu sinto de mim o que sinto o que sentirá por mim uma mulher em especial que sinta por mim o mesmo que eu sinto por ela?
sábado, 8 de setembro de 2012
cede de parede
preferia ser um erro na gramática que este verbo errático sem sinónimo nem gramática expressa na parede do mundo. se agora é tarde pode ser que amanhã seja cedo para um dia novo no mundo
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
já morri
às vezes isso chega para me contentar quando sigo feliz da vida. e mato-os de ciúme sei lá do quê
dardos nús dedos
As divindades brincam aos dados com a minha finitude viciada na roleta russa das curvas dos corpos onde acabo por suspirar suspenso no ar dos meus sonhos humanos.
"a ver, a ver"
uma vizinha ofereceu-me a crédito um gato careca
e logo a mim que nem um cabelo tenho com que me acredite.
pensei em passar-lhe um cheque,
pagá-lo às meias fatias de bolo,
ou servi-lo junto com um café
mas falta-me o capital
e um banco que macredite
e um bar que ainda não tenho
nem amigos na asae.
pensei em dividi-lo em duas metades
e oferecê-lo a um amigo que me atura
mas no fundo tudo o que tenho
é uma moeda na bolsa.
não tenho títulos
nem propriamente propriedades
mas com as que me restam avancei
disse-me
"oh tu que és um santo nas acções porque não puxas da tua capacidade expeculativa e
inventas aí uma rima com dinheiro"
tamos todos com uma careca no bolso
e eu desde que penso que penso
devia era ter ficado por aí a meditar
enquanto deambulasse ou servisse um café nesse bar cuja própria voz silenciou.
pois bem eu mesmo acredito justamente que não será o dinheiro que vai pagar a dívida pública nem tapar o buraco de ozono nem cobrir todas essas coisas que por aí se derretem por aí destapadas. não. a mim ofereceram-me um gato careca. do tamanho cuja medida certa tapou o buraco em que coube entalando o próprio elevador. morreu nesse instante.
ofereceram-me a crédito. e eu acreditei neles...
e logo a mim que nem um cabelo tenho com que me acredite.
pensei em passar-lhe um cheque,
pagá-lo às meias fatias de bolo,
ou servi-lo junto com um café
mas falta-me o capital
e um banco que macredite
e um bar que ainda não tenho
nem amigos na asae.
pensei em dividi-lo em duas metades
e oferecê-lo a um amigo que me atura
mas no fundo tudo o que tenho
é uma moeda na bolsa.
não tenho títulos
nem propriamente propriedades
mas com as que me restam avancei
disse-me
"oh tu que és um santo nas acções porque não puxas da tua capacidade expeculativa e
inventas aí uma rima com dinheiro"
tamos todos com uma careca no bolso
e eu desde que penso que penso
devia era ter ficado por aí a meditar
enquanto deambulasse ou servisse um café nesse bar cuja própria voz silenciou.
pois bem eu mesmo acredito justamente que não será o dinheiro que vai pagar a dívida pública nem tapar o buraco de ozono nem cobrir todas essas coisas que por aí se derretem por aí destapadas. não. a mim ofereceram-me um gato careca. do tamanho cuja medida certa tapou o buraco em que coube entalando o próprio elevador. morreu nesse instante.
ofereceram-me a crédito. e eu acreditei neles...
mammis
Será que no futuro ficaremos conhecidos como uns embrulhados que se revelaram de passagem para o passado?
almomada
por este fim era apenas amor próprio derramado pelas próprias mãos sem leito alheio que o envolvesse no despertar nú de um novo dia.
que a burro sido sou
tenho um assassino à porta. digo-o sem linguagens metafóricas e em discurso directo. mas o que mais temo é o tempo que sozinho passo dentro de casa a matar-me de tédio.
telhados de Zíngaro
na chuva que molha lá fora
no calor que me prende aqui dentro
o fogo das balas perdidas
chuva zincando em telhados de plástico
olhos em luta o olhar que se prende
visão de sonhos sem almofada
lá fora a chuva molha mesmo
descansar e de dar descanso
um dia a noite lá fora nús
dançando sobre passos de corrida e cambalhota.
entre o Panteão e a graça
jogaram um dia crianças à bola.
no calor que me prende aqui dentro
o fogo das balas perdidas
chuva zincando em telhados de plástico
olhos em luta o olhar que se prende
visão de sonhos sem almofada
lá fora a chuva molha mesmo
descansar e de dar descanso
um dia a noite lá fora nús
dançando sobre passos de corrida e cambalhota.
entre o Panteão e a graça
jogaram um dia crianças à bola.
faz tempo que não chove atchim
lá fora chuva chove Chói molha-se pela chuva que chove e que lhe chove por cima do seu passeio molhado lá fora chove chove chói, chai daí que chove chói.
um dia me fizeram um dia de cada vez
e me serviram um dia e outro e um dia ela me fez
aquele seu jeito subtil de me servir "és tu aquele?"
que melhor lhe servia o desejo de ser mulher de ser pessoa e gente e uma e outra vez...
depois de me ter calado
e terem calado bem caladinho,
vê lá se tás mas é quietinho,
de noite fiz um dia
e um dia falei mais alto
que a voz da minha pessoa
disseram-me então schiu
que de pessoas sem jeito
anda o operário contrafeito
e a voz a ensaiar-se ao seu jeito.
disse-lhe então que se passa não sabes que também não sou gente
sem te ter do meu lado, sem te ter frente a frente?
nem gente por aqui eu sou
que já fui gente de andar ao vosso lado
mas ela estranhou
e ela passou
e passou à acção
e passou ao outro lado
do lado de quem diz cansa-me o fado
agora serve-me um gelado,
não foi assim que me disseste é esse "o teu melhor pecado"?
ele tremendo-se no frio e muita bem calado
e é pá, bem bem alheado do bem que se estava do outro lado.
calou-se esperou que a noite,
a noite chegar
procurando-a
levado no amarelo rasgado
do cavalo do seu irmão tigrado.
perdido seguindo atrás do teu encalço desejado.
ela disse-me depois no dia que começou
vê lá se te calas ou se falas por fim
que aqui há pipocas e companhia mais que uma sem fim.
em todo o lado se sentiu
a terra tremeu
rindo sem fim
ou temendo sabe-se lá ainda se por mim
e ele que em si fugiu
sentou-se lado a lado,
frente a frente,
com quem o tinha chateado
com quem o tinha maltratado,
e nada lhes disse que não tivesse já desejado.
e adormeceu que estava demasiado canado
que toda a noite havia já um vão procurado,
e música não havia nenhuma ensinado.
e me serviram um dia e outro e um dia ela me fez
aquele seu jeito subtil de me servir "és tu aquele?"
que melhor lhe servia o desejo de ser mulher de ser pessoa e gente e uma e outra vez...
depois de me ter calado
e terem calado bem caladinho,
vê lá se tás mas é quietinho,
de noite fiz um dia
e um dia falei mais alto
que a voz da minha pessoa
disseram-me então schiu
que de pessoas sem jeito
anda o operário contrafeito
e a voz a ensaiar-se ao seu jeito.
disse-lhe então que se passa não sabes que também não sou gente
sem te ter do meu lado, sem te ter frente a frente?
nem gente por aqui eu sou
que já fui gente de andar ao vosso lado
mas ela estranhou
e ela passou
e passou à acção
e passou ao outro lado
do lado de quem diz cansa-me o fado
agora serve-me um gelado,
não foi assim que me disseste é esse "o teu melhor pecado"?
ele tremendo-se no frio e muita bem calado
e é pá, bem bem alheado do bem que se estava do outro lado.
calou-se esperou que a noite,
a noite chegar
procurando-a
levado no amarelo rasgado
do cavalo do seu irmão tigrado.
perdido seguindo atrás do teu encalço desejado.
ela disse-me depois no dia que começou
vê lá se te calas ou se falas por fim
que aqui há pipocas e companhia mais que uma sem fim.
em todo o lado se sentiu
a terra tremeu
rindo sem fim
ou temendo sabe-se lá ainda se por mim
e ele que em si fugiu
sentou-se lado a lado,
frente a frente,
com quem o tinha chateado
com quem o tinha maltratado,
e nada lhes disse que não tivesse já desejado.
e adormeceu que estava demasiado canado
que toda a noite havia já um vão procurado,
e música não havia nenhuma ensinado.
descoberta em redes coberta
mergulhar nessa janela para o mar num dia que seja nosso aprendendo a nadar surfando nos teus braços meus abraçada a braçada
ao longe berros
vozes na noite
gritos de quem não entendo palavra
que creio atingir ao longe o que ao perto não arrisca
escondendo-se das sombras à noite
carros à porta
medos
silêncios caminhando
escadas erguendo-se ante escadas
caminhando vizinhos que se abrem
à vida na noite
à minha porta sinto-te mas nunca mais soube de ti.
lá fora o azul das sirenes deu continuidade à noite
em dias destes dou por mim extinto
estético mirando a vista do desafio anterior
que se perde na busca da vitória
perdida em mãos que a idolatram
quem sabe se as minhas próprias
que se reencontrando lhe devolvam o seu próprio destino.
que desafio este ainda por desvendar
onde me novelo sem ponta por onde me desapeguem
caminho de uma crusada interior
que se perdeu do sentido
em que um dia se reencontrou
pela plenitude de um olhar intenso
que se fechou um dia da minha visão.
vejo-te mesmo que não te encontre
e ande perdidamente fechado em mim mesmo
e apenas encontre vazio de olhar em olhar vadio
mas peço-te olha por mim mesmo que não me vejas
ou me encontres em quem ao teu lado te reveles.
desejo-te, ainda que encontrar-te não ouse hoje
estético mirando a vista do desafio anterior
que se perde na busca da vitória
perdida em mãos que a idolatram
quem sabe se as minhas próprias
que se reencontrando lhe devolvam o seu próprio destino.
que desafio este ainda por desvendar
onde me novelo sem ponta por onde me desapeguem
caminho de uma crusada interior
que se perdeu do sentido
em que um dia se reencontrou
pela plenitude de um olhar intenso
que se fechou um dia da minha visão.
vejo-te mesmo que não te encontre
e ande perdidamente fechado em mim mesmo
e apenas encontre vazio de olhar em olhar vadio
mas peço-te olha por mim mesmo que não me vejas
ou me encontres em quem ao teu lado te reveles.
desejo-te, ainda que encontrar-te não ouse hoje
sinto-te em minha interioridade
mesmo que instinto
nosso aquilo que nús pertença e ninguém divide
sábado, 1 de setembro de 2012
almofadinhas
era a história de um sonhador tão grande que passava o dia a dormir e um dia acordou embrulhado numa vida de pesadelo sem peluche em pêlo debaixo do vento de que se abrigava nessa noite sem brisa
patapatapum de patadas
estou com uma depressão galopante a cavalgar dentro de mim passo a compasso, patada a passada
0-...
que importa a estatística quando no fim a vitória é precisa e a derrota segura, assobios para os empatas que atiraram com as bolas ao poste quando as pernas ainda davam conta da audiência
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Gostava de voltar a correr, mas não posso, gostava de voltar a andar, mas um tanto preciso, e de voltar a estar parado, mas não mo permitem, ou de andar para trás, mas não acontece, e é por tudo isto que sonho, sem posição ou lugar certo para me mexer de um lado para o outro fora da cama, mas quando sonho sossego e sei quem és desse lado que precisamente busco, e me faz acreditar mais em ser apesar de nem sempre parecer muito menos aparecer a tempo de nos fazer avançar, em passos necessários certamente imprecisos, os meus claro, que os teus eu sei que já vi, bom bom, bem bom, era voltar a sentir este sonho real de ser acordado conjunto a ti incluído, com pequeno almoço encomendado, sim que estou cansado e preciso de dormir mas não uso pijama e peço-te se não te importares que amanhã e sempre me acendas de novo essa esperança que me leva a escuridão nesse desejo com luz que sempre te acompanha.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
pode não aparecer muito mas talvez seja só a ponta de um iceberg que descongela por ti...
Temo que tudo não passe de uma ilusão encerrada em mim, essa liberdade que tanto sonho e que me tem inspirado a lutar um dia de cada vez. Sou-te grato.
perguntava o sol a cada estrela com que se cruzava:
"Onde páras minha metade?" - interrogava-se naquela que era noite de lua partida ao meio. "Sabes, partindo-te levas metade de mim."
terça-feira, 3 de maio de 2011
retomada com eco na mia crise
Ter a sua visão em vista isso sim era um investimento seguro que juro me deixava beneficiado. Se ela me axa juro que o retorno afectivo é garantido e atractivo, com um trato cheio de asteriscos, com tradições novas e vastas medidas a implementar em múltiplas posições e cambiantes que o club mercado ou outra acção bem cotada permita implementar no clube ferroviário ou empresa sua partydária! Vamos ó lux, camarada lua!?
sábado, 30 de abril de 2011
só, mais uma noite...
Tudo começou com um carregador. E três risquinhos de bateria...
Era o dia da estreia. Do seu primeiro filme. O mesmo que o fizera ser si mesmo. O mesmo que fizera consigo mesmo. O mesmo filme que começara na escola. E começara 'nela. O mesmo de sempre. O mesmo que mudara sempre mais um pouco. Era sempre o mesmo... E sempre por acabar.
A gente que o esperava era sempre a mesma. Sempre a mesma que o esperava. Mas esperava algo diferente. Esperava-o numa sala diferente. Era uma sala melhor de grandes projecções e projectos maiores por assim dizer. Uma sala com portas e paredes e colunas e projector e tela e mística enorme sendo a 3 era a primeira deste filme. A primeira vez que ia por dentro ao cinema...
....passara a semana a correr atrás do filme. Do filme que sendo sempre o mesmo era o seu. Estava anunciado. O filme que sempre os mesmos queriam ver estava anunciado a todos os outros. De maneira diferente do habitual porque habitualmente era diferente. habitualmente não era assim. Habitualmente ele era exigido. Faziam-lhe pedidos directos por mais indirectamente que eles lhe fossem dirigidos. Neste filme não. Ele era ele mesmo que se projectava de encontro a uma tela, depois de uma parede numas traseiras, depois de um lençol vincado, depois de visto em festas em que não pertencia e outras em que não cabia em si, este dia era diferente de todas aquelas vezes em que tinha visto imagem por imagem o mesmo filme de sempre em écrãns de múltiplas janelas. Tantas vezes mais especiais cada uma delas com sabores diferente, nem sempre bem temperado nem sempre com o melhor temperamento.
Este dia era diferente. E chegou ainda a tempo. Ao mesmo tempo que a cópia de Timor, a cópia a um quarto de hora dali do cinema, chegou mesmo em cima do tempo. Do tempo com certeza. Ele preferiu ir a casa. Tinha tempo. Tomar um banho. Havia tempo. Sentir-se civilizado humano o possível.
O dia tinha sido passado a correr para apanhar chuva nas traseiras de uma estrada onde tinha ido de táxi. Para estar ali à chuva com duas pessoas na paragem do autocarro à espera do transporte que nunca mais chegava. Tinha pago o suficiente para um almoço acompanhado. Ele só precisava de fazer um telefonema... O tempo apertava. O tempo do seu filme estava à espera de ter um som condigno com quem tinha emprestado a palavra e usado a sua voz para que melhor se ouvisse. Ele estava ali à chuva sem saber onde era a porta daquela cave onde o esperavam. Era o tempo para juntar um som melhor à imagem melhorada mas os três traços estavam apagados. Não que não ligasse a ninguém mas nem tinha bem como porque os telefones públicos nunca funcionam e numa povoação nunca há mais que um telefone e meio, que o do lado da igreja apenas escuta mas não se deixa ouvir. Mas há sempre um café um tasco onde a merenda sabe sempre melhor que a água que nunca é a mesma. E como é que há tantas águas e nunca é sempre a tal?
Passou o dia a correr. Sem que desse um passo de corrida. Aquele tempo agradável que passou sentado enquanto o som se escorria para a sua caixa azul. Ali estava um tempo que distoava do ambiente lá fora. Mas era do mundo lá fora que se falava. Das companhias e dos Duartes e dos bazares e alguns azares. O tempo passou agradavelmente bem. Amenamente nas mãos de quem sabia o que fazia. Da melhor forma que sabia. E o ambiente passou.
Lá fora o mundo ligava-lhe. Lá fora o mundo esperava-o. E ele sem energia nenhuma. Não teve lata para pedir uma boleia que tinha. Mas educadamente pedira para roubar uma flor. Acelarou estrada fora ainda que tranquilo. E lá deu com um táxi. E apanhou-o. E chegou a tempo ao cinema de entregar a sua caixa cheio de azul, sem rótulo nem legenda. Ofegante. Aquele era apenas o seu filme. Ele sabia-o.
Foi para casa. A tempo de tomar um banho não sem que antes agradecesse ao taxista. O taxista agradeceu, e insistiu eu é que agradeço. Talvez com um jantar partilhado à sua família... Ficou ao cimo da sua rua de sempre. Da mesma rua onde não fez questão de entrar. Quis deixar o dia para trás para abraçar outro à frente. Lavou-se e perfumou-se e trocou-se todo. Montou a cabra montanhesa de sempre e desceu vermelho pela rua. Olhou para o lado mais do que para a frente e escutou o sino na rua certa à hora errada. Chegou exactamente no princípio do seu fim ali. A sessão começara.
'nada mais sagrado num filme do que chegar pontualmente ao cinema' qualquer coisa assim que insistia em dizer ao mesmo tempo que projectava ambições de projeccionista. O sonho pode esperar mas o Sol e a Lua e tudo o resto que os liga, na melhor das hipóteses talvez amanhã lá estejam à mesma hora. Não mais a frescura na flor que colhera. Não mais o respeito neste lugar sagrado.
Não mais a esperança dos espectadores que eram os mesmos amigos de sempre que o recebiam. Não mais o mesmo público. Não mais a bebida a 95% não mais o lucro nem a pipoca crocante a outros tantos tantos que ali não se vendia. Não mais o mesmo artista sem jeito para dar festival. Não mais a mesma correria. Não mais o mesmo dia. Só a mesma mãe, o mesmo pai, o mesmo filme, os mesmos chilreares, o dia seguinte. E o carregador no sítio de sempre.
Tudo isto acabou com um realizador solitário... Vou ver se descanso este dia depois de uma noite carregado de pesadelos....
que filme... *
Era o dia da estreia. Do seu primeiro filme. O mesmo que o fizera ser si mesmo. O mesmo que fizera consigo mesmo. O mesmo filme que começara na escola. E começara 'nela. O mesmo de sempre. O mesmo que mudara sempre mais um pouco. Era sempre o mesmo... E sempre por acabar.
A gente que o esperava era sempre a mesma. Sempre a mesma que o esperava. Mas esperava algo diferente. Esperava-o numa sala diferente. Era uma sala melhor de grandes projecções e projectos maiores por assim dizer. Uma sala com portas e paredes e colunas e projector e tela e mística enorme sendo a 3 era a primeira deste filme. A primeira vez que ia por dentro ao cinema...
....passara a semana a correr atrás do filme. Do filme que sendo sempre o mesmo era o seu. Estava anunciado. O filme que sempre os mesmos queriam ver estava anunciado a todos os outros. De maneira diferente do habitual porque habitualmente era diferente. habitualmente não era assim. Habitualmente ele era exigido. Faziam-lhe pedidos directos por mais indirectamente que eles lhe fossem dirigidos. Neste filme não. Ele era ele mesmo que se projectava de encontro a uma tela, depois de uma parede numas traseiras, depois de um lençol vincado, depois de visto em festas em que não pertencia e outras em que não cabia em si, este dia era diferente de todas aquelas vezes em que tinha visto imagem por imagem o mesmo filme de sempre em écrãns de múltiplas janelas. Tantas vezes mais especiais cada uma delas com sabores diferente, nem sempre bem temperado nem sempre com o melhor temperamento.
Este dia era diferente. E chegou ainda a tempo. Ao mesmo tempo que a cópia de Timor, a cópia a um quarto de hora dali do cinema, chegou mesmo em cima do tempo. Do tempo com certeza. Ele preferiu ir a casa. Tinha tempo. Tomar um banho. Havia tempo. Sentir-se civilizado humano o possível.
O dia tinha sido passado a correr para apanhar chuva nas traseiras de uma estrada onde tinha ido de táxi. Para estar ali à chuva com duas pessoas na paragem do autocarro à espera do transporte que nunca mais chegava. Tinha pago o suficiente para um almoço acompanhado. Ele só precisava de fazer um telefonema... O tempo apertava. O tempo do seu filme estava à espera de ter um som condigno com quem tinha emprestado a palavra e usado a sua voz para que melhor se ouvisse. Ele estava ali à chuva sem saber onde era a porta daquela cave onde o esperavam. Era o tempo para juntar um som melhor à imagem melhorada mas os três traços estavam apagados. Não que não ligasse a ninguém mas nem tinha bem como porque os telefones públicos nunca funcionam e numa povoação nunca há mais que um telefone e meio, que o do lado da igreja apenas escuta mas não se deixa ouvir. Mas há sempre um café um tasco onde a merenda sabe sempre melhor que a água que nunca é a mesma. E como é que há tantas águas e nunca é sempre a tal?
Passou o dia a correr. Sem que desse um passo de corrida. Aquele tempo agradável que passou sentado enquanto o som se escorria para a sua caixa azul. Ali estava um tempo que distoava do ambiente lá fora. Mas era do mundo lá fora que se falava. Das companhias e dos Duartes e dos bazares e alguns azares. O tempo passou agradavelmente bem. Amenamente nas mãos de quem sabia o que fazia. Da melhor forma que sabia. E o ambiente passou.
Lá fora o mundo ligava-lhe. Lá fora o mundo esperava-o. E ele sem energia nenhuma. Não teve lata para pedir uma boleia que tinha. Mas educadamente pedira para roubar uma flor. Acelarou estrada fora ainda que tranquilo. E lá deu com um táxi. E apanhou-o. E chegou a tempo ao cinema de entregar a sua caixa cheio de azul, sem rótulo nem legenda. Ofegante. Aquele era apenas o seu filme. Ele sabia-o.
Foi para casa. A tempo de tomar um banho não sem que antes agradecesse ao taxista. O taxista agradeceu, e insistiu eu é que agradeço. Talvez com um jantar partilhado à sua família... Ficou ao cimo da sua rua de sempre. Da mesma rua onde não fez questão de entrar. Quis deixar o dia para trás para abraçar outro à frente. Lavou-se e perfumou-se e trocou-se todo. Montou a cabra montanhesa de sempre e desceu vermelho pela rua. Olhou para o lado mais do que para a frente e escutou o sino na rua certa à hora errada. Chegou exactamente no princípio do seu fim ali. A sessão começara.
'nada mais sagrado num filme do que chegar pontualmente ao cinema' qualquer coisa assim que insistia em dizer ao mesmo tempo que projectava ambições de projeccionista. O sonho pode esperar mas o Sol e a Lua e tudo o resto que os liga, na melhor das hipóteses talvez amanhã lá estejam à mesma hora. Não mais a frescura na flor que colhera. Não mais o respeito neste lugar sagrado.
Não mais a esperança dos espectadores que eram os mesmos amigos de sempre que o recebiam. Não mais o mesmo público. Não mais a bebida a 95% não mais o lucro nem a pipoca crocante a outros tantos tantos que ali não se vendia. Não mais o mesmo artista sem jeito para dar festival. Não mais a mesma correria. Não mais o mesmo dia. Só a mesma mãe, o mesmo pai, o mesmo filme, os mesmos chilreares, o dia seguinte. E o carregador no sítio de sempre.
Tudo isto acabou com um realizador solitário... Vou ver se descanso este dia depois de uma noite carregado de pesadelos....
que filme... *
terça-feira, 12 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
às vezes é preciso virar a cara à luta...
fi-lo porque me preparo para a guerra que me dá sentido. lutas de capoeira não me dão sentimento.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Custa-lhes mais do que a mim?
Por muito que isso custe às pessoas não sou pessoa de virar a cara à luta. Deve ser por isso que passo a vida a apanhar chapadas quando ofereço a outra face.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Nunca quis passar a vida a enrolar-me com cabos
nem a descortinar o que implicam tantas patentes
nem a encher sacos com praias de areia
nem a projectar à luz rebentos de sola sem saber por quê
ou produzir rios de páginas escritas em pressas....
Lá ao fundo só quero projectar-nos de encontro a uma parede
mesmo que apenas envoltos num fino lençol branco
sobre as estrelas do teu horizonte.
nem a descortinar o que implicam tantas patentes
nem a encher sacos com praias de areia
nem a projectar à luz rebentos de sola sem saber por quê
ou produzir rios de páginas escritas em pressas....
Lá ao fundo só quero projectar-nos de encontro a uma parede
mesmo que apenas envoltos num fino lençol branco
sobre as estrelas do teu horizonte.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Quando é que a aurora nos encontra?
antes encontrar um ponto de luz na manhã que nos perdermos em flashs pela noite.
domingo, 30 de janeiro de 2011
tristeza não paga remédios
às vezes apetece-me chorar mas prefiro agarrar numa cebola para ter uma boa desculpa para te sorrir no prato.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Uma hora que devia não me chega
Há uma hora precisa, uma hora preciosa em que ela surge e me asfixio no peito que me salta pela garganta, dispersando-me no desejo de fundir a proximidade que nos distancia. Chega então com toda a frieza uma hora precisa um momento em que ela parte no silêncio e eu me despedaço em mil palavras inéditas que ficaram por dizer...
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
'Poeta canhoto segurando sonhos pela ponta das penas projecta-se no abstracto, estatelando-se no concreto da sua vizinhan...'
Lia-se naquele retalho folha de jornal antigo arrastado pelo vento. Relendo ao contrário fantasias por concretizar, o poeta solto da tirania das suas penas suspensas em horário muito além do laboral, inscreveu fim no destino das suas linhas de vida. Sem bilhete de volta. Mas enfim... tudo o que sentia era um carrossel de emoções suspensos em caros ses. Nesse dia seguiu o vento ansiando uma aragem sua. Tudo o que podia aguardar era um 'beija-me pela mão que me segure'.
O cinema é dos poucos sonhos que se podem projectar no concreto...
No entanto e apesar de ter filmes para concretizar, fantasio envolver outras estrelas de encontro a superfícies bem mais lustrosas. E reconfortantes.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Linha dividida por nós
E é este o meu estilo linear na sua forma múltiplo na sua leitura singular quando encontro nela a tua companhia.
OhOhOyé....
Contorcendo-me como em ouriços de costas geladas rebolei-me na cama como quem gosta de si em baixo, desejando escorrer-te encosta abaixo numa lascívia que lava mais quente. Mas estou só embrulhado em mais um Natal em que me invernei... Pôrra sou frio!
sábado, 4 de dezembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
espétalas
O caminho florido para uma mãe está na sua descendência. E eu perdido entre flores sem me entregar a nenhuma...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Tempo roubado
O facto de não querer problemas com ninguém só me arranja problemas com toda a gente. No fim de dias destes o tempo é só um dia a menos.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
danço só, só danço
Antigamente era atleta, mas não atingia a altura dos meus sonhos. Agora que sou coxo as coisas correm melhor, mas ninguém me agarra.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
viver é preciso, navegar é impreciso...
O real oferece-nos tanto que nós virtualmente não fazemos a mínima.
domingo, 12 de setembro de 2010
conservar frescura
Não me quero explicar nem pedir perdão nem que me entendam nem que me estendam nem que me levantem os dedos nem me ergam os braços. Tentei ser o que não podia ter. Agora só posso ser eu. Um dia de cada vez. Naturalmente ser a minha natureza.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Mudar o mesmo episódio
Ainda sou do tempo em que a televisão era um diálogo directo e via-a horas a fio. Agora passo demasiado tempo a mudar entre indirectas conversas sem fio sem saber que canal nos sinfonize.
Canal por mudar
Gostei de alguém que tive o desgosto de deixar por ninguém. Este é o episódio que se repete em série no filme da minha telenovela afectiva. Efectivamente.
Mancha a tingir nódoas
Gosto muito de certezas mas hesito demasiado para as atingir. E elas na dúvida afastam-se com certeza. E disso desgosta-me.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Canto desafinador
Era morena com o fado balançando nas orelhas e uma cruz às costas, sentou-se à minha frente e eu levantei-me, para passar cartão no lugar de outra...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Por qué las llamas?
Há chamas presas dentro de mim que estão a queimar tudo à volta. Vou libertá-las e arder com elas.
Prova Moral
Tou com problemas morais a toda a prova. E desmoralizado ninguém me toma o gosto. Com tanto mar salgado à volta e eu tão ensonso.
Dúvidas
Sou uma pessoa moldável de Natureza insegura feito de material vivo e ideias mortas. Sou uma dose dupla de choro de criança e sonho de adulto, sou um pedadelo de mãe e um sonho de pai. Talvez o seja pela razão inversa, mas acima de tudo pela paixão dispersa pelo caminho. Por ter confundido as pessoas. Por continuar a fazê-lo. Sou contrário a toda a certeza. Vou morrer sem ter vivido tudo o que queria, por não viver o que desejo. Sou temente da eternidade. E de um dia. Um dia de cada vez. Temo. Temo-os a todos. Todos. Sou destruidor de sonhos e famílias. Por não viver na hora certa desacerto todos os relógios. Sou maldito, de nome sempre trocado. Sonhador de meia dose, em restaurante de luxo. Contas e lixo. Não liberto os desejos mas apenas sofro as consequências dos meus pecados. Não presto. Sou humano. Mas pouco. Seguramente.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
lançamento falhado
Tenho tanta coisa na cabeça que às vezes cabe tudo num papel. Dobrado caminho do caixote.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Inspirações aspiradoras
Há infâncias afinadas outras são simplesmente inspiradoras. No fundo todos sonhamos crianças.
À caça de companhia
Cansa-me perder tempo a descansar pessoas que não querem descansar comigo. E tu partilhas causas comigo?
terça-feira, 24 de agosto de 2010
ííí... rico
Um destes dias acordo prá realidade e deito-me cedo antes de te acordar com um beijo de boas noites.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Transduzindo-me
Gostava de sentir-me escutando afinadamente a tua voz. Mesmo que não tivesse nada à altura para te dizer nesse momento.
sábado, 21 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Running over the flowers
I love the flowers
But I keep running over ever since
Cause I can't see no future with no brightness
You have the feeling
And I get that idea
And I keep running
Till that day when I fall over
And I stop over the floor
And then you step
And you step me over.
All over
With those flowers.
And then down
I wake up
And then I start running
And I keep running
For the flowers I love.
But I keep running over ever since
Cause I can't see no future with no brightness
You have the feeling
And I get that idea
And I keep running
Till that day when I fall over
And I stop over the floor
And then you step
And you step me over.
All over
With those flowers.
And then down
I wake up
And then I start running
And I keep running
For the flowers I love.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Causas Passadas
Dou passos demasiado compridos para o alcance da minha perna. E assim deito-me cansado de pernas encolhidas.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Princípio no fim
Oiço vozes no meu peito que nem sempre falam por mim quando lhes falo. Se fosse tão afinado quanto refinado noutras alturas me tomam, não me encontrava tão finado quando ando perdido. Definitivamente.
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Mar nas Vistas
Lá longe a meio do rio um velho cargueiro contrariava a força do rio que o empurrava em sentido contrário. Lá longe o rio puxava por ele. De âncora presa ao fundo do leito pantanoso cobria com o seu flanco as velas alvas de embarcação que passeava os sonhos suspirantes por vento naquele dia de reflexos de Sol na água. Unidos naquele instante no desejo de seguir viagem juntos, separados pelas medidas que os distinguiam. Ele pesaroso e rangente, hesitante, consumido pela força de servir gente. Ela leve e flamejante, cativante na forma como guiava o sonho atrás de si. O rio puxava em sentido contrário, lembrando que é na foz que segue o destino. Havia vozes dissonantes pela cidade, e os ecos dos cães silenciavam os gritos dos gatos e as vozes das obras eram as vozes dos homens que suspiravam ao sol por ventos frescos na encosta das vizinhas da frente. Rio acima rio abaixo. A voz do cargueiro não se fazia ouvir. Os sinos tocavam. Ele esperava que o tempo o tocasse mas ele dava voltas ao contrário. Encalhado a meio do rio. Quando o mar imenso não cabe nos olhos do marinheiro a viagem acaba e o sonhos começam. E esse mar é tão vasto e sem retorno. Há que seguir viagem. Lá longe é aqui tão perto.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sou só um homem só em múltiplos sentidos dispersos
Um animal racional precisa de emoções para existir. E eu não tenho nenhuma razão para não sentir isso.
Quem me queira que acabe comigo
Sou só um homem só. Sem nada mais por acontecer nesta mesma companhia. Agora ou mudo de pelotão ou dou o peito às balas do fuzilamento.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
vida a rèver
a minha vida é um pesadelo e não partilhamos a mesma realidade apesar de sermos feitos da mesma essência.
te mo
Estou na sala da casa do meu maior amigo fechado com o meu maior antagonista. Lá fora o mundo espera um protagonista.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Dar-lhes nas vistas
Os vizinhos conhecem-me demasiado bem por fora para saberem o que vai cá dentro.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
Dúvidas excessivas
Mas isso seria demais! Ou de mais? Não tenho dúvidas que é bom nos interrogarmos sem nos questionarmos. O tempo todo.
Ser um ponto de exclamação com uma exclamação no ponto
Vou sendo mais poeta que poema. E cá vou corrigindo as minhas emendas, mas nem sempre é fácil manter-me nessa linha. E muito menos meter-nos na mesma exclamação!
sábado, 24 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
proximidade distante
Nada de confusões: eu à distância sou tão confuso como quando o revelo ao teu lado.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Meta Posso Passo a Passo nas Partidas
Não aprender tudo de uma vez, apreender pequenos nadas! E libertá-los.
domingo, 11 de julho de 2010
Escamas-me os pêlos?
Tou a precisar de ser feliz, mas não tenho jeito para forçar a minha natureza. Redobras-me a espinha?
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Só sem ti
Estou a dividir-me em metades cada vez mais pequenas laranjas cada vez mais doces que cada vez menos saboreio sem lhes tocar. Sei perfeitamente o que quero mas estou confuso. Não confundido. Ou será ao contrário? Estou confundindo ou com fundido? Não tenho a menor ideia. Só tenho uma certeza. Estou só. Sem ti.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Bilhete
As conspirações divinas tornam-nos actores dos nossos próprios filmes. Entro sempre a meio dos meus e nunca encontro o meu lugar. Está escuro. Onde estás?
v e r d e g e n t e s
Se o meu mundo continua a tomar-me por asno um dia deixo de me carregar em tal burrice e vou postar para outro lado.
domingo, 4 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Almofadado
Ultimamente apetece-me chorar, mas acabo por bocejar e a coisa passa. Quando começar a dormir tou fddo...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Há sinais divinos e outros divinais...
e o teu, que sinalmente te digo te dá uma finalidade singular.
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